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Convento de Mafra

               À volta de Mafra, tomando como centro a histórica vila, por D. João V eleita para nela edificar o mais vasto monumento de Portugal, estende-se por uma ridente superfície povoada de monumentos arquitectónicos e doutras obras de arte, tendo, por fundo, uma paisagem exuberante, variada pelo recorte e qualidade das culturas, ao mesmo tempo impressionante pelas surpresas movimentadas do solo, desde a agitação orográfica de Cheleiros à planura dos areais costeiros das praias da Assenta, de S. Lourenço, dos Coxos, da Ribeira de Ilhas, de S. Julião, da Baleia, da Foz do Falcão e da maior e mais bela de todas: a Ericeira:
               A posição histórica e a opulência artística do Mosteiro, pela sua importância, absorve geralmente, todo o restante inventário turístico do concelho, deixando em plano secundário outros valores dispersos da região, alguns dos quais, aliás, de assinalada categoria artística. Antes disso, porém, fixemo-nos, por instantes, no Mosteiro Joanino, o mais vasto da invocação Antoniana - coração onde palpitam, simultaneamente, o fervor patriótico e a grandeza de rei magnânimo e inspirado nos maiores lances do pensamento.

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maiores lances do pensamento.
               Naquele lugar, outrora designado pelo sítio da Vela, mandou D. João V erigir um sumptuoso monumento arquitectónico que havia de causar assombro nas gentes da ápoca, e ainda hoje notável em confronto com obras do mesmo género.
               A rainha D. Maria Ana de Áustria, três anos decorridos sobre o dia do seu casamento, não dera um desejado descendente à coroa. A preocupação do rei, neste sentido, levou-o a aceitar um piedoso alvitre de Frei António de S. José, exposto ao Cardeal Cunha e ao Marquês de Gouveia que, certo dia, se encontraram numa das salas do Paço o que fez por esta proféticas palavras, referindo-se ao

monarca: «Ele terá filhos, se quiser», e  aconselhava para esse intuito a edificação de um templo e um cenóbio anexo, como era uso, em certas circunstâncias, ao que o rei anuiu.
               A previsão realizou-se, e a promessa foi cumprida. A rainha dava, finalmente, um sucessor à coroa, e D. João V ordenava a construção do Mosteiro.
               «Muitas e várias foram as plantas de igrejas que, por ordem D'El-Rei, se fizeram; (informa Fr. João de S. José do Prado) porém, entre todas merece ter o primeiro lugar no seu agrado, a de João Frederico Ludovice», determinando que a 17 de Novembro de 1717 se lhe lançasse a primeira pedra.
               Dali em diante, a tarefa foi árdua e prolongada, a avaliar pela enormidade da obra e pelo número de operários em acção: cerca de 45 000. Vieram de Itália pranchas de nogueira para os caixotõs da sacristia e do coro; angelim do Brasil, destinado a portas e janelas. Pero Pinheiro, Sintra e Loures deram mármores para colunas, vergas e peitoria. A França, a Itália, a Belgica e a Holanda contribuiram com estátuas, sinos, carrilhões, baixela do Convento, luminária, indumentária e torêutica eclesiástica de inexcedível e primoroso trabalho.

               A escala colossal desta obra e os meios de a realizar excederam tudo quanto até então era uso fazer-se. Mais de um milhar de bois foi empregado na remoção de materiais. Canteiros, carpinteiros, entalhadores, torneiros, serradores, vidraceiros, alvenéus, mariolas, stc., trabalharam ali, durante anos, sem interrupção, numa das maiores empresas daquele tempo e em qualquer lugar.
               Fachadas de assombrosas dimensões - apenas, no seu tempo, excedida em alguns metros, pelo mosteiro do Escorial, obra ideada por Fillipe II de Espanha sob planos de João Baptista de Toledo, e de João Herrera. Obra, aliás, de construção muito anterior à sua émula de Mafra, pois começou a edificar-se em 1563 só terminando vinte e tantos anos depois.
               Como o Escorial, o Mosteiro de Mafra é simultâneamente Igreja, Convento e Palácio. A fachada principal é extensa, mas animada de bastante claro escuro que os diversos acidentes arquitectónicos produzem à vista do oibservador. O corpo central corresponde ao espaço ocupado pela igreja
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encontra-se ladeado pelas duas torres sineiras, elegantes e bem proporcionadas em estilo neo-clássico.
               Numa extensão daquela medida, a fachada poderia tornar-se excessivamente monótona (como sucede no mosteiro do Escorial) se não estivesse a embelezá-la as peças de escultura nalguns nichos respectivamente ocupados por dois patriarcas: S. Domingos e S. Francisco; o frontão de calcário branco e o meio relevo do tímpano, representando a Virgem, o Menino Jesus e Santo António, tudo enriquecido pelo tom quente e bronzeado da pátina de alguns séculos. Entre os arcos das torres abrigam-se também, nos seus próprios nichos, as imagens de Santa Clara e de Santa Isabel - rainha da Hungria. Em remate desta composição, uma soberba cruz de ferro ladeada por dois fogaréus de pedra. Nos extremos da fronteira existem dois corpos salientes, cobertos, respectivamente por uma cúpula, na realidade, pesada e maciça em excesso para o estilo arquitectónico do monumento. Não há bela sem senão.

               Observada de longe, e no eixo do edifício, esta mole gigantesca deixa perceber o volume magestoso e bem lançado do Zimbório com seus óculos e lanternim, marcando aquele ponto sagrado do templo onde a nave longitudinal da igreja se cruza com a transversal e que, por esta circunstância, o vulgo lhe chama: cruzeiro.
               Antes que os nossos olhos se prendam à observação minuciosa dos requintes ornamentais que tanto enriquecem este monumento, somos necessariamente, impressionados pela atmosfera de magestade e pela elegância das formas de todo aquele conjunto. O tom dos mármores raros e ricos, a correcção das linhas e a largueza daquela escala arquitectónica justificam, plenamente, a sensação colhida num simples relance de vista.
               Encontramo-nos, na realidade, dentro de um magestoso edifício, digno de apreço em qualquer parte.

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Quadro em cima:
Em baixo à esquerda:
Torres sineiras e zimbório da Basílica
Em baixo à direita:

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